Perde-se uma hora, um dia, uma noite...
Uma madrugada que seja.
Perde-se muitas coisas
e muito no vão da escuridão.
Perde-se a palavra, a vontade,
o sono e até mesmo a certeza.
Só o que permanece
é o vão da escuridão.
O aperto vem não se sabe
se da escura madrugada ou da certeza perdida.
Só se sabe o aperto, só se sente o aperto.
Doloroso como uma ferida que nunca cicatriza...
E vai-se em vão, a esmo...
O aperto ou a vida...
O vão da escuridão logo deixa de ser vão,
logo deixa de ser escuridão.
O sol nascente preenche
espaços e traz consigo luz.
Luz preenche o vão ascendendo a madrugada
que também se esvai tal qual o breu.
A luminosa certeza ressurge
como a Fênix sem nunca ter sido cinzas.
A madrugada perdida acha-se no clarão do dia,
o sol surgiu e a madrugada foi quem se perdeu.