sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

PÔR DO SOL DA VIDA

Delta, berço da morte.
Braço forte,
Igaraçu.

Águas inocentes
de sangue corrente,
brisa de dor.

Marca de horror
no porto poente (salgado)
ao pôr do sol da vida.






terça-feira, 28 de outubro de 2014

MAIS UM NOVAMENTE

De olhares satisfeitos
cheios de calor e carícia
fizeram-se as desvontades
perdendo-se desejos e malícias.

Vi teus grandes olhos
desejosos e atentos
cerrarem-se na névoa
de tantos tormentos.

Distanciamento sem pudor,
fatalidade do existir.
Desagradável devir
mãe da separação.

E novamente, como que de repente,
não mais que de repente,
põe-se a doer o coração.
Mais um adeus.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

ALMA NUA

Te dou metade de minha canção.
A outra metade também é tua,
mas deixe-a livre comigo
para ser em mim e sinta-se à vontade
para apreciação.

Te dou metade de minha oração.
A outra metade também é tua,
mas ora em paz comigo
em laço de vida e na simplicidade
de nossa pretensão.

Te dou metade de meu silêncio.
A outra metade também é tua,
desde que saibas apreciar
a beleza da quietude
e o sossego da união.

Te dou metade de tudo que há em mim.
A outra metade também é tua,
desde que sejas em paz conosco
e que assim como eu sempre te entregues
de alma nua.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

DOR E ENCANTAMENTO

São as superluas refletindo luz
sobre as ruas desertas dos corações
a procura de um chamado que traga
sossego e acalante os pés cansados.

É a noite escura carregada de nuvens
carregadas de você. É o pensamento
que em inquietude voa na vida, qual
insólito balão sempre a vagar.

É a angústia de ser o que se é.
A ânsia de vir a ser o que será.
A constante dinamicidade da aurora.

Também o constante entardecer.
É o percorrer do mais belo caminho,
aquele que dói e encanta: o viver.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

DESCONEXOS

Aprende-se a viver
vivendo pouco a pouco, dia a dia.

Eles continuam loucos
e nós cada vez mais ensandecidos.

Essa felicidade pode não existir agora
e eu nem me preocupo caso não venha a existir amanhã.

Segure ou solte a minha mão
que a queda se faz inevitável de qualquer modo.

Você fica mais bonita nua
quando está despida de tuas inúteis armaduras.

Melhor ouvir uma bossa nova
e esquecer as amarguras da vida.

Temo eternidades e ainda assim vou fazer uma tatuagem.
Tatuagens de amor só se fazem a dois.

No amor vale tudo,
até se apaixonar novamente e desapaixonar também.

Escrever um livro
e continuar a me libertar na terapia.

Comprar uma passagem só de ida
para a vida bem vivida.

Apreciar mais o cigarro, aproveitar melhor uma paixão
e levar a vida com mais Vinicius de Moraes.

Paz é uma droga difícil,
abuse o quanto conseguir.

Graças a Deus, se é que Ele existe, quando criança
acreditava nas coisas que hoje esse homem tido bosta faz.

Eu seria mais feliz
na tua verdadeira entrega de alma aberta e plena.

Nunca ter vergonha
para que meus inimigos sequer sintam alguma satisfação.

Aceitar a Cristo
e saber que Este anda de mãos dadas com o Diabo.

Vou derramar o café daquela menina desajeitada
pra que ela sinta o calor da vida se esvair em suas mãos.




Este poema foi feito inspirado no poema "Nexos" do querido amigo e poeta Ithalo Furtado. "Desconexos" é um paralelo do lindo "Nexos".

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

sábado, 23 de agosto de 2014

LEMBRA-TE

Quando a angústia vier,
a solidão corroer e a
dúvida se fizer implacável,
lembra-te que és insólito balão:

Sou insólito balão, vago pela vida.
Lembra-te que são muitas as possibilidades,
muitos os desdobramentos das perigosas curvas
e que a cada curva é possível se fazer bem estar.

Que a criação beija a angústia, que covarde e sem amor
logo se esvai. Que a solidão não existe quando dentro de si
não mora o vazio e que a dúvida sucumbe à “água de beber”.

Lembra-te que a vida se faz do caminho
e que a descoberta de cada instante só se dá no caminhar.
Insólitos balões, vagam, passeiam, caminham pela vida.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

PRAIAS - PEDRAS - PÉS

Quando piso nas pedras da praia da Pedra do Sal,
lembro das pedras da Praia do Meio.

Mas as pedras da praia da Pedra do Sal não são as pedras da Praia do Meio.

Nem meus pés que já pisaram as pedras da Praia do Meio
são os mesmos pés que hoje pisam as pedras da praia da Pedra do Sal.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Igaraçu
lava minhas tardes
leva meu tempo
dilui-se meu pensamento
em carícias de brisa e vento.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

COMUNHÃO

É tão difícil a despedida e enquanto me despeço
olho para o sol que mais cedo nos iluminou.
Sinto o mar que nos envolveu, o amar que nos banhou.
Ainda sinto o momento quente junto ao portão.

Minha pele ainda ferve do sol do teu calor.
Meu corpo quer nadar na excitação de teu mar.
Ainda estou no portão de tão bonito lugar,
passagem para a mais bela comunhão.

Me despeço mas ainda estou aqui, sou aqui.
Comungo eu de ti, comungas tu de mim.
Comunhão – coração – nós.

A mais bela opção de um insólito balão:
o andar compassado, as mãos dadas entrelaçadas,
a comunhão do caminho em cadência de carinho.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

PORTO POENTE

Acendo uma cigarrilha num raio de sol,
a tarde me envolve e me abraça em sua brisa.
A fumaça leve se dissipa ao som da melodia do poente
e a alma terna e ardente.

A cigarrilha me beija e me esquenta junto ao sol que me toca.
O Igaraçu lava meus pés revigorando minha alma.
O tempo passa e o porto sempre aqui...
Porto Salgado de minha alma doce de Igaraçu.

A fumaça se esvai e o fogo se apaga,
o contato humano sempre se faz presente.
Tudo em volta é linda calma.

Porto das Barcas, porto de mim.
Porto do sol poente.
Aqui me refaço, Parnaíba se fez aqui.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O QUE INTERESSA

É demais pra mim tudo o que me trazes.
Tanta força posta pra fora
e o que interessa continua guardado
dentro de gavetas empoeiradas de vontade.

O que interessa é a entrega de atitudes,
a entrega de palavras, de cantos cantados
ao pé do ouvido, de abraços abraçados cheios de ti,
cheios de entrega. A doação, sem medo, de si.

O que interessa é a entrega. E sem entrega
somos incompletude, “quebra-cabeças sem luz”,
“pedras em cada por enquanto”. Não quero a escuridão
de peças soltas, não quero pedras deslocadas de seus lugares.

Se há uma pedra no meio do caminho, é no meio do caminho
o lugar certo para a pedra estar. Que cada pedra seja posta
no lugar certo no tabuleiro da vida, que a minha permissão te
sirva de exemplo, que a minha entrega te sirva de tua entrega para mim.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

AINDA NÃO SOLTEI TUA MÃO

Uma pena deixar você ir.
Nos dávamos tão bem...
Entre brincadeiras, beijos,
abraços, risos e filmes

ficaram nossos encontros
cada vez mais distantes.
Desencontros diários,
afetações do humor.

Caminhos da dor que
percorremos juntos.
De algum modo ainda
não soltei tua mão.

E não me apraz ter que soltar.
De desencontros vamos vivendo
até que um encontro volte a nos juntar.
Mas ainda não soltei tua mão.

domingo, 13 de julho de 2014

VÃ EXCITAÇÃO

Não me fale destas noites.
Por favor, não me fale
daquelas noites tão sofridas.

Noites em que meu peito ardia
em angústia e eu me encontrava
mergulhado em desamparo.

Noites nas quais a excitação
se fazia uma fuga em vão
e só havia a ausência escura.

Noites de dor na alma...
Eu me perdia em desespero
e se esvaía minha calma.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

CONFISSÃO

Me cubro com o lençol
que nua tu te cobristes.
Me enxugo com a toalha
que tu te enxugastes.

Recebo teus convites
e com penar não descuido do não.
Ainda desejo teu corpo,
mas tenho medo de tua insanidade.

Tenho medo do teu sofrer,
do meu descuidado. Então,
te possuo para mim em pensamento.

Devoro-te e me entrego a ti em gozo de liberdade.
Dispo-te de roupas e de defesas e comungamos felicidade.
Tudo acaba e permanecemos de almas distantes e intactas.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

CABELOS DOURADOS

Ainda durmo com o lençol
que nua tu te cobristes.
Ainda tenho comigo tua imagem
assim eternizada em minha memória.

Queria te pintar...
De ti, fazer uma tela
mas como não posso, te escrevo.
A ti, escrevo.

Tua imagem e teu carinho
em mim eternizados.
Você, linda de cabelos dourados...

É uma pena que tenhamos que partir.
A existência é dura e muito ainda há porvir,
mas carrego comigo, para sempre, um pedaço teu dentro de mim.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

CAMINHO

caminho e as flores
me dão bom dia

o céu me sorri
como que num aceno

as nuvens me fazem sombra
sob os cumprimentos do sol

as árvores dançam
a música verde

e no jardim da vida
a beleza explode exuberante

eis a caminhada
da existência

sexta-feira, 13 de junho de 2014

INSÓLITOS

Hoje eu durmo do lado de lá.
Insólitos balões permeiam minha cabeça,
logo se perdem em minha imaginação
levados pelo vento da vida.

Espero amanhecer sem dor nas costas.
Espero que meus nervos não me atraiçoem,
que eu possa andar com o mínimo de dor...
Mas os insólitos balões estão a vagar...

Vagam por aí...
Tu vagas por aí...
Eu vago por aqui.

Inicio outra aventura
que não sei onde vai dar...
Sou insólito balão, vago pela vida.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Te repito

Te repito por aí
numa busca de teu ser...
Pra ver se te encontro,
pra ver se me repito

junto a você.
Reminiscências de um passado
que não vai se repetir,
mas minha memória

alimenta o desejo
de novamente te possuir.
Não precisa ser você

e ainda assim fico a te buscar.
Na verdade, quero repetir
o prazer que tive em te amar.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Coração Delator

Olho que me cerca
Olho que me olha
Olho maldito
Invasor de meu ser

Rasga minha carne
E profana minha alma
Para o inferno
Vou mandar você

Mudo o coração pulsante
Não mais vai rugir
Vai estar inflamado de estupor

Porém minha insanidade
Vai fazer eclodir
Aquele maldito coração delator




Soneto inspirado no conto "Coração Delator" de Edgard Allan Poe.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

SOBRE AS QUEIXAS: DESNATUREZA


Uma queixa de amor revela muito

Há muita dor numa ânsia de desdém
Ainda que não seja o rompimento fortuito
A alma é dilacerada além

E tal amor assim violento
Quando negado
Simplesmente como canta a canção
É um oceano sem água
Que afoga o que restou do coração

E tal amor assim delicado
Que nenhum homem daria
Como pode ser pecado
Apostar na alegria?

Despeito, caminho certo
Instrumento necessário
Corrói e alivia
Salva o ser da bela princesa
Que entrou em sua vida um dia





*Poema inspirado na música "Queixa" de Caetano Veloso:
https://www.youtube.com/watch?v=54xAdlQAqpM&feature=share

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Partiu antes mesmo de chegar
Insinuou a vida e o coração
E por isso mesmo ficou
Foi-se na vida
Ficou guardada no peito

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Bossa nova
moça nova
aos olhos de quem
sem samba que vem
moça nova









Daltro Paiva e André Mello




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

VAI

Tuas mãos já não procuram as minhas
teus abraços já não querem mais os braços meus
não me apraz uma vida vivida sozinha
mas se queres segues o rumo teu

vais viver e fazer o teu bem entender
gastas tua vida ao teu modo
sai das abas que te cercam
e libertas teu cantar

liberta a vida que ecoa de tua voz
mas que jaz presa no teu viver
liberta tua vida

solta tua voz
a vida ainda pode ser bonita
mas tens que te arriscares a viver