segunda-feira, 25 de março de 2013

MADRUGADA PERDIDA

Perde-se uma hora, um dia, uma noite...
Uma madrugada que seja.

Perde-se muitas coisas
e muito no vão da escuridão.

Perde-se a palavra, a vontade,
o sono e até mesmo a certeza.

Só o que permanece
é o vão da escuridão.

O aperto vem não se sabe
se da escura madrugada ou da certeza perdida.

Só se sabe o aperto, só se sente o aperto.
Doloroso como uma ferida que nunca cicatriza...

E vai-se em vão, a esmo...
O aperto ou a vida...

O vão da escuridão logo deixa de ser vão,
logo deixa de ser escuridão.

O sol nascente preenche
espaços e traz consigo luz.

Luz preenche o vão ascendendo a madrugada
que também se esvai tal qual o breu.

A luminosa certeza ressurge
como a Fênix sem nunca ter sido cinzas.

A madrugada perdida acha-se no clarão do dia,
o sol surgiu e a madrugada foi quem se perdeu.


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