Tudo
começou quando vi um status de whatsapp que dizia: - “Aprendi a não me
surpreender com elogios. Não significam nada.” Senti um tom de decepção amorosa
e isso chamou minha atenção. Geralmente só comento status de pessoas próximas a
mim ou de quem eu queira me aproximar para trocar uma idéia. Dessa vez foi
diferente. O status, por mais simples que tenha sido, me provocou. Não
resistindo, comentei: - “Com sua licença, é que as pessoas mesmo não se
apaixonando por nós conseguem reconhecer nossas qualidades e isso não implica
que elas queiram ou possam levar adiante algo conosco.”
A
pessoa pronta e gentilmente me respondeu que concordava com o que eu dizia, mas
que tinha uma vivência que lhe permitia pensar assim. Disse, ainda, que esse
tipo de coisa é uma situação decepcionante e por isso o status fazia todo o
sentido para si. Logo constatei que a percepção que tive sobre ser um caso de
desapontamento amoroso estava correta, pelo menos assim julguei. Então, para
não ser inconveniente, afinal de contas já estava me intrometendo onde não
havia sido chamado, apesar de a pessoa ter postado no status para todos verem,
disse simplesmente que entendia. Assim, a conversa teve seu fim. Para mim,
ficou claro que a pessoa em questão estava com dor de cotovelo, quem nunca? Mas
não canso de me surpreender, assim como já me surpreendi muitas vezes comigo
mesmo. Embora eu não saiba absolutamente nada sobre o contexto do que aconteceu
em relação à conversa acima citada, me pego a refletir, o que se passa? Por que
ficamos aborrecidos com alguém se este não corresponde às nossas expectativas?
Por que alguém é obrigado a nos querer simplesmente porque percebe nossas
qualidades? Por que alguém é obrigado a nos querer?
A
menos que eu esteja equivocado, a resposta é simples. Precisamos amadurecer
emocionalmente. Salvo em casos em que se prometem mundos e fundos e em que se
firmam compromissos amorosos, ninguém tem que corresponder à expectativa de
ninguém e olha que mesmo quando existe um compromisso há de se ter cuidado com
isso de gerar e cumprir expectativas. As pessoas não pertencem umas às outras,
ninguém é dono de ninguém. Estamos com quem queremos quando queremos.
Problemáticas de casal ou de outra modalidade qualquer de relacionamento
amoroso, a questão é outra. Sabemos que o modo de se relacionar mantém o amor e
que cada relação enfrenta suas batalhas para que o casal permaneça unido. Mas,
enfim, voltando à nossa temática, precisamos de maturidade.
Por
mais que me doa, não posso me aborrecer com alguém por esse alguém não
corresponder às expectativas que eu mesmo criei, sobretudo se não tivermos um
relacionamento firmado e se estivermos sendo transparentes um com o outro.
Alguém pode reconhecer minhas qualidades, dizer que sou uma pessoa especial e
ainda assim não se apaixonar por mim ou não me querer ou, ainda, não poder se
relacionar comigo como eu gostaria, sabe-se lá por quais motivos. Tenho apenas
que respeitar sua vontade ainda que esta divirja da minha. Mas compreendo que
as pessoas se chateiem quando nestas circunstâncias, mesmo porque também já passei
por isso. E mais uma vez, quem nunca?
O
que acontece é boa e velha dor de cotovelo, sempre ou quase sempre acompanhada
de ressentimento e despeito. Já ouviram o dito: - “quem desdenha quer comprar”?
Pois é. Dói no ego quando somos rejeitados, mas calma aí. Não precisamos de
tanta birra em relação ao outro, dito crush nos dias de hoje. Não que esse seja
o caso do diálogo que contei acima, mas já vi muitos outros casos de birra
medonha mesmo. Mas o que esperar de uma paquera denominada crush? É premeditado
que vai dar em uma bela barruada. Enfim, a rejeição nos deixa ressentidos. Então,
eu torno o outro ruim por razões que só existem na minha cabeça para que eu
possa ser bom e consiga respirar aliviado sabendo que sou um santo e outro é
que não presta. Assim, poderei ir desapegando da dita criatura.
Quanto
ao despeito, instrumento necessário, corrói e alivia. É nosso orgulho ferido, nosso
ressentimento e dor de cotovelo, o pacote completo. É a indisposição que
ficamos em relação a tudo diante da rejeição. Corrói o sentimento que nutrimos
e alivia nosso ressentimento nos ajudando, ainda que de maneira imatura, a
superar a barruada. Enfim, ficar com raivinha do outro, apesar de imaturidade
emocional, parece ser um mecanismo de autodefesa e sobrevivência amorosa. Ficar
desapontado com o outro parece, em alguns casos, facilitar o desapego e
permitir que sigamos em frente. É muito compreensível e pode até ser que em
alguns casos seja justo também.
Contudo,
quanto mais velhos ficamos e olha que nem sou tão velho assim, se estivermos
envelhecendo bem, ou seja, amadurecendo, vamos cansando dessas raivinhas bobas.
Aprendemos a respeitar a nós mesmos e aos outros. Adquirimos, a muito custo, ou
não para quem é mais esperto, maturidade emocional. Queremos mesmo é paz, dar paz e receber paz,
além de amor, claro. Se eu te quero e você também me quer, ótimo. Que belo
encontro teremos. Se eu te quero e você não me quer, tudo bem. Siga seu caminho
e, como diz minha mãe: - “tome o rumo da Roberta Miranda, vá com Deus”. Agora,
se você me quer e eu não te quero, meu bem, não force a barra. Porque afinal de
contas, como também se diz hoje em dia, não sou obrigado. Passar bem.

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