POEMA TORTO
Teria a voz humana coragem para assumir suas covardias
assim como assumimos
tantas supostas glórias?
Até que ponto abraçamos nossas vergonhas, infâmias e vilezas?
Macularíamos
a imagem do príncipe se o fizéssemos?
Oh príncipes, meus irmãos! Onde
é que há gente no mundo?
Quem sabe algum covarde desgraçado
não tenha
outra alternativa senão assumir-se vil.
Vil no sentido
mesquinho e infame da vileza,
como quem não alcança a salvação
em seu último suspiro de vida
e implora pela humanidade e misericórdia dos seus.
Semanas infindáveis,
dias eternos, meses e anos perpétuos.
Noites escuras e frias que teimam em não amanhecer.
Sexo, álcool e mulheres que embora possuam meu corpo
nada me dizem ao coração.
Vazio
inexplicável que fere a existência dilacerando a carne.
Muitos planos que não levarão a lugar algum
e que dançam desesperados no vácuo
em um ciclo desgraçadamente maldito de
um filme ruim que a tv
aberta insiste em passar
e que ninguém mais quer ver.
Mais
uma vez ebriedade e estupidez,
dessas de não querer ver o próprio rosto
no espelho.
Desgraças em vão no inferno gratuito e sem razão.
Não corras o risco de ser
mandado ao purgatório
como um menino sujo que
é castigado pelo pai.
Já ouvistes de alguém a
voz humana, oh irmão?
Já conseguistes quem te confessasses cruéis covardias?
Já encontrastes quem de suas couraças se desfaça
removendo o véu do ideal
assumindo todas as
torpezas, fragilidades, vilezas e misérias humanas?
Responde-me, meu irmão.
Não me cales tua voz,
não me deixes a
indagar solitário.
Não me negues tua palavra.
Não dê as costas ao meu peito que
sangra.
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